sexta-feira, 13 de maio de 2011

Mariana Hora dá uns ensinamentos a Tereza Mantoan


Dá-lhe, Mariana! Quem mandou Tetê falar o que não sabe?

Professora Doutora da Unicamp, a senhora Maria Tereza Mantoan está puxando um abaixo assinado on line contra o movimento dos surdos de solidariedade ao INES e pela educação bilíngue. No email em que solicita assinaturas, a tal doutora em educação faz uma série de considerações sem fundamento sobre a luta dos surdos. A companheira Mariana Hora (foto), surda de Recife, em email aberto à douta senhora, faz os esclarecimentos necessários e lhe ensina o que ela não aprendeu em casa (ter respeito aos outros) nem em seu doutorado (o conhecimento da luta surda)...

 

 Em resposta ao e-mail da Sra. Maria Teresa Mantoan



por Mariana Hora, quinta, 12 de maio de 2011 às 16:44

Cara Professora e demais simpatizantes da Educação Inclusiva,

Venho educadamente, solicitar sua atenção. Estarei aqui me referindo ao texto, assinado pela professora acima citada, que circula via e-mail divulgando o abaixo-assinado contido no site: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=INCLUSAO.

Abaixo farei algumas singelas observações:

1- “E tudo isso porque as pessoas que apoiam as políticas de segregação e assistencialismo das escolas especiais estão aproveitando a mudança de governo para tentar retomar o espaço que perderam por causa da nossas conquistas na inclusão (digo nossas porque essa é uma luta de todos nós).”

Não deixou claro quem são estas pessoas, eu espero que não esteja se referindo à comunidade surda que está organizando as manifestações em Brasília para os dias 19 e 20 de maio. Não defendemos assistencialismo (eu inclusive sou Assistente Social e, caso estivesse participando de um movimento que defendesse assistencialismo estaria sendo antiética e desrrespeitando os príncipios fundamentais da minha profissão), muito menos ainda defendemos segregação.

2- “Nós sabemos muito bem que a proposta do MEC foi flexível: permitiu que as escolas especiais não fechassem, mas que, em vez de escolarizar, apenas oferecessem o AEE. No entanto, manipulam a imprensa e a opinião pública, dizendo que o MEC vai fechar o INES, o Instituto Benjamin Constant e outras intituições "importantes para a sociedade". Com isso, TENTAM MODIFICAR NOSSAS LEIS PARA REGULARIZAR DE VEZ A ESCOLA ESPECIAL!!! Isso é muito grave.”

Flexível? A Constituição Federal diz que a educação das pessoas com deficiência deve ser feita PREFERENCIALMENTE em escolas regulares, isso é bem diferente de dizer OBRIGATORIAMENTE. Estamos defendendo a nossa liberdade, a nosso direito de escolha.  O movimento dos surdos não está defendendo o fim da Educação Inclusiva, estamos defendendo o direito das Escolas Bilíngues para Surdos de existirem como ESCOLA e não como AEE.

3 – “Não podemos esquecer que os opositores da inclusão são fortes perante a opinião pública. Bradam que "a sociedade" quer a escola especial. Mas nós todos sabemos que isso não é verdade. E VAMOS FICAR PARADOS??? Tenho certeza de que não. Temos que mostrar que existe um exército que luta todo santo dia para fazer a inclusão nesse país dar certo. Temos que dar voz às mães e aos pais que choram quando vêem que o filho tem direitos, que aprendeu, fez amigos, avançou, está feliz..."

Para sua ciência estive recentemente no Instituto Benjamim Constant no RJ, assisti uma reunião na qual pais choraram, gritaram, mostraram toda sua revolta com a possibilidade de fechamento da escola da instituição. Não são TODOS os pais de crianças com deficiência que querem colocar seus filhos na Escolas Inclusiva, pense nisso, por favor.

É apenas na Escola Inclusiva que as crianças com deficiência tem direitos, aprendem, fazem amigos, estão felizes??? Crianças surdas que estudam em Escolas de Surdos são felizes, tem amigos, aprendem e tem direitos!

4- "Está havendo uma manipulação da informação para deixar a população contra as política de inclusão do MEC e para, inclusive, derrubar a secretária de Educação Especial e sua equipe (tem uma passseata marcada em Brasília para o dia 19 de maio)".

Aproveito que você falou em MANIPULAÇÃO, e digo que foi o que certas pessoas ligadas ao MEC e outras entidades fizeram na Conferência Nacional de Educação (CONAE-2010) contra os delegados surdos que estiveram lutando pelas propostas de educação de surdos. Eles foram totalmente desrespeitados e têm provas disso.

Tem uma passeata marcada sim, e é para os dias 19 e 20 de maio. Vamos apresentar propostas para Educação de Surdos e exigir o respeito à Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência (lá diz que deve ser respeitada à Cultura Surda, a Língua Sinais e a Identidade dos Surdos), a Lei de Libras (10.436/2002) e o Decreto 5.626/2005.  Além de outros documentos que nos garante o direito de ter uma educação em Língua de Sinais.

Não estamos manipulando ninguém, só queremos ser respeitados e “ouvidos”.

5- "E, pior de tudo, é que, em meio a todo esse absurdo, as crianças são o que menos contam".

Pelo contrário, estamos lutando por um futuro melhor para as crianças surdas. Resumidamente: Nós queremos Escolas Bilíngues para Surdos com qualidade. Bilíngue siginifica respeitar a Libras como primeira língua e o português escrito como segunda língua. Porque não investem na melhoria das escolas existentes ao invés de fechá-las?

O abaixo-assinado em Defesa do INES está no ar para ser assinado por quem concorda com o que está escrito nele. Claro que vocês têm direito de manifestar a opinião de vocês e fazer o abaixo-assinado de vocês.

Eu só estou pedindo RESPEITO. Respeito a pluraridade de idéias, pensamentos, teorias. Respeito à Libras, à Cultura Surda, aos Surdos que tanto lutaram e hoje estão conseguindo cada vez mais atingir espaços antes fechados para nós. Respeito ao direito de escolha. Respeito ao direitos dos surdos de terem uma educação de qualidade em sua língua (Libras) e num espaço propício ao desenvolvimento e fortalecimento da identidade surda.

Parem de nos chamar de segregacionistas, é um acusação falsa e injusta. Temos direito de sinalizar (falar em Língua de Sinais) nossas propostas, nossos anseios e desejos.  Temos direito de reclamar e lutar contra pessoas que afirmam não existir cultura surda e/ou que Libras não é língua.

Respeitosamente,
Mariana Hora

Surda, Assistente Social, Criadora do abaixo-assinado em Defesa do INES (http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=LutaINES), Participante da Comissão de Organização do Movimento Surdo em favor da Educação e Cultura Surda – Brasília 19 e 20 de maio).

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Dicionário Voltaire / Verbete: estupidez

Estupidez: s.f. O primeiro registro da palavra se deu em 1789, mas com muita atualidade em 2011. Significa Rossana Ramos, Pós-Doutoranda em História e Linguística pela Universidade Federal da Bahia; Doutora em língua portuguesa pela PUC/SP (2005); Mestra em Lingua Portuguesa pela PUC/SP (2001); Especialista em Lingua Portuguesa PUC/MG (1989); Graduada em Letras - SESAT (1985); graduada em Pedagogia com Habilitação em Administração Escolar. Professora Adjunta da Universidade de Pernambuco, fundadora e diretora da Escola Viva de Cotia. Tem quinze livros cometidos na área infantil e pedagógica, no Brasil e no exterior pela Cortez Editora, Summus Editorial e Pró-infanti Editora. Tem experiência na área de Letras, em Língua Portuguesa e Artes, atuando principalmente nos seguintes temas: escrita, leitura, literatura infantil e educação inclusiva.  Disse recentemente essa estúpida, em Palestra em Camãqua (RS), que o atendimento especial é inútil, tanto quanto as escolas especiais; que TODOS os alunos devem estar em uma mesma sala de aula, sem nenhum outro tipo de suporte (exceto casos muito extremos), que "alguma coisa" com certeza eles acabarão aprendendo. Afirmou também com todas as letras que LIBRAS não é LINGUA, que ela como linguista sabe muito bem disso, que a lei de Libras é uma PIADA, criada apenas por pressão de uma cúpula. E foi além: SURDO TEM QUE SER ORALIZADO, pois aí sim aprenderá de verdade como qualquer outra pessoa, QUE LÍNGUA DE SINAIS NÃO É MEIO DE APRENDIZADO PARA NINGUÉM. Ela diz clramente, à luz do dia, o que Martinha Claret acalenta, em silêncio, em seu coração.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Estudo em portugal demonstra que alunos surdos se desenvolvem melhor em escolas especiais

Só chamo a atenção para o fato de que o uso da expressão "escola especial" não é da investigadora, que prefere usar o nome mais correto: "escola bilíngue". Quando esse artigo foi publicado, não existiam ainda em Portugal as escolas bilíngues LGP/Português, que hoje convivem com escolas inclusivas, tendo os surdos e suas famílias o direito de escolha. É por isso que nós lutamos aqui no Brasil.


CIÊNCIA HOJE (REVISTA PORTUGUESA)
2007-07-19

As crianças surdas que frequentam a escola normal estão em desvantagem relativamente às que estudam em escolas especiais, conclui um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) hoje divulgado.

O estudo abrangeu dois grupos de crianças surdas, com idades compreendidas entre os seis e os 12 anos, um integrado no ensino normal e o segundo com frequência no ensino bilingue (que aprende a língua gestual a par da língua portuguesa escrita).

A coordenadora do estudo, a psicóloga e investigadora da FMUP Ivone Duarte, referiu que "os resultados demonstraram que as crianças surdas que frequentam as escolas normais apresentam piores resultados ao nível da comunicação, integração social e capacidade associativa e cognitiva, quando comparadas com as integradas no ensino bilingue".

A investigadora concluiu que a falta de uma língua impede estas crianças de compreenderem o que as rodeia, de comunicarem eficazmente e de socializar, o que compromete o seu desenvolvimento e as pode deixar frustradas e ansiosas. Em contrapartida, as crianças inseridas em escolas bilingues, e que dominam a língua gestual, vivem mais calmas e mais seguras, estão mais aptas a explorar o meio e a estabelecer relações com os outros e, por isso, desenvolvem-se mais eficientemente.

O estudo conclui que "os resultados positivos obtidos pelas crianças com acesso ao ensino bilingue são ainda mais evidentes nas que iniciaram a aprendizagem da língua gestual com três anos ou menos, o que sublinha a necessidade de que a aprendizagem desta língua ocorra o mais prematuramente possível".

"Isso exige a implementação do rastreio de surdez neonatal em todos os hospitais e maternidades, o que permitirá identificar e encaminhar devidamente os bebés com deficiência auditiva", defendeu a investigadora. O sistema educativo português integra as crianças surdas nas escolas convencionais, apesar destas não responderem às necessidades comunicativas dos alunos surdos.

Ivone Duarte propõe que se criem escolas próprias, que integrem surdos e ouvintes, mas que possuam ensino bilingue. "As crianças surdas não têm qualquer necessidade de currículos alternativos ou adaptados, bastando-lhes o acesso a uma língua que lhes permita apreender o mundo e desenvolverem-se plenamente", afirmou.

No âmbito das investigações levadas a cabo pela FMUP relativamente à problemática da surdez, o Serviço de Bioética da Faculdade organiza amanhã o "V Simpósio sobre Reabilitação da Criança Surda". No encontro, que tem início às 15:00 horas, na Aula Magna da FMUP, participam Rui Nunes, Ivone Duarte e Luísa Simões, entre outros especialistas.

domingo, 1 de maio de 2011

Mãos que falam, mãos que abençoam


"Os outros ouvem, eu não. Mas tenho olhos, que forçosamente observam melhor do que os deles. Tenho as minhas mãos que falam..." (Emmanuelle Laborit, 1994)


"Pronunciar palavras eu posso, sim, converso com quem não sabe LIBRAS, normalmente. Mas no meu nome, na minha vida, na minha história, tenho como marca as minhas mãos, a minha forma de me comunicar: a LIBRAS! Esse bailado que sempre sugerirá benção, edificação. A mão é o verbo dos eleitos" (Vanessa Vidal,  2008)